Por Ellen
Rocha e Érick Espíndola
O objetivo da maior parte da população é a estabilidade
financeira. A certeza de ter um bom salário todo mês leva muitos
profissionais as cadeiras dos concursos públicos. No jornalismo não
é diferente, mas existem exemplos de pessoas que optam por ter
vários trabalhos, sendo estes temporários. O jornalista
José Eduardo, vive essa realidade há 23 anos na área de
comunicação. Começou como assistente de câmera na TV Campo Grande.
Nesse período, se propôs ir para São Paulo, adquirir experiência
sendo voluntário no SBT.
O medo da instabilidade o fazia refletir se era esse o
caminho certo, e o fazia pensar em aceitar as várias propostas
recebidas para se fixar em algum lugar, mas as experiências vividas
em suas viagens o faziam recusar. São documentários, coberturas
internacionais, campanhas políticas, onde José Eduardo conhecia
cada vez o Brasil e se encantava com as peculiaridades de cada
lugar.
A qualidade do trabalho de cada profissional é o que faz
a sua carreira. É necessário dedicar-se ao trabalho, tomando ele
não como uma obrigação, mas como parte de uma vida. Os trabalhos
temporários, também refletem em boas condições financeiras, como
conta José Eduardo, pois com várias experiências, ainda mais
pessoas conheceram o seu trabalho e assim, mais trabalhos
surgirão.
Foi o que aconteceu com Vivian Kelly, que com cinco anos
de profissão, já participou de alguns trabalhos temporários, como
campanhas políticas. Tudo porque seu trabalho foi reconhecido no
decorrer da campanha. A princípio não tinha experiência, mas a
oportunidade apareceu e Vivian não deixou passar. Soube contornar
situações e hoje trabalha confiante em seu trabalho como repórter.
Passou por assessoria, jornais on-line e reportagens
externas.
Como ainda era nova na profissão, Vivian se aventurou
mesmo sem saber quando se recebia por trabalhos como estes e não se
arrependeu. Os trabalhos temporários dão bem mais dinheiro que os
fixos, mas isso por um curto espaço de tempo e isso causa medo em
muita gente, portanto, o que valeu para mim, foi mais a
experiência, que o dinheiro em si, apesar de ter recebido muito
mais do que em qualquer outro emprego.
Já no caso da jornalista Nádia Bronze, a decisão foi um
tanto quanto mais difícil. Nádia já era funcionária de uma revista
e seu salário satisfazia todas as suas necessidades, porém o
trabalho em si é o que não a agradava mais. Nádia queria ver
pessoas novas, experiências diferentes, como qualquer outro
jornalista. Isso fez com que pensasse na idéia de largar seu
trabalho por algo novo, mas a decisão não foi
fácil.
Largar algo fixo, por uma oportunidade que tem a
possibilidade de não dar certo e o pior, de simplesmente, não ter
mais trabalhos depois de um temporário assombrou a cabeça de Bronze
naqueles dias em que a decisão deveria ser tomada. O fato de ter na
mesma equipe pessoas vindas de outros lugares e até mesmo outros
países promove grande troca de experiência
profissional.
Para isso, a jornalista pediu a ajuda das pessoas mais
próximas, para saber qual seria a melhor decisão. Nádia decidiu se
aventurar e por sua sorte, além de ser liberada, terá a
oportunidade de voltar ao seu antigo trabalho.
O mercado informal atrai, tanto profissionais já
reconhecidos, como iniciantes que querem uma oportunidade de ter
seu trabalho visto. Para Marcio Leal, o trabalho informal foi uma
porta para sua vida profissional. Sem ter um trabalho fixo, Marcio
se viu perdido depois que saiu da faculdade. Mesmo com muitos
sonhos e fantasias no meio jornalístico, sua realidade foi mudando
seu ponto de vista. Sentiu-se frustrado, quando se viu trabalhando
como garçom. "Sem desmerecer a classe, mas estudei para ser
jornalista e não garçom", diz Márcio.
A decepção no meio jornalístico quase destruiu o sonho de
Márcio. Mesmo decepcionado, ele foi buscar seu espaço. "Quando eu
achei que o jornalismo não teria mais serventia na minha vida,
apareceu uma oportunidade de emprego numa rádio, por um período de
seis meses. Mesmo sendo limitado, decidi encarar a aventura, e ela
me rendeu muita coisa, principalmente na construção dos meus
contatos. Com o tempo comecei a usar minha "fonte" de contatos e
fui criando minha credibilidade".
Marcio revela que após certo tempo conseguiu adquirir seu
espaço, e principalmente, reconhecimento das suas atividades. "Num
período de dois anos eu já estava ficando conhecido no meio
jornalístico da minha cidade. Após isso, várias oportunidades
surgiram, e comecei a ver que apenas foi uma questão de tempo
conciliado com o aproveitamento de uma chance. Aí fui tomando gosto
pelo radiojornalismo, onde atuo até hoje".
Leal afirma que a mudança na sua vida foi a partir de uma
oportunidade e confiança que nele depositaram. "Devo muito as
pessoas que me ajudaram, porque às vezes você precisa de uma
chance, e tem gente que não oferece isto. Hoje eu tento ajudar os
recém formados com oportunidades pequenas, e os que se destacam, eu
tento encaixar de alguma forma na minha
equipe".
Essa realidade é comum na área jornalística, onde muitas
vezes, as indicações são vistas por todos os campos, mas é
fundamental salientar que é capacidade é o que mantêm o
profissional no mercado e trabalho, sem contar nas boas relações
tanto com colegas quanto com os superiores fazem qualquer
profissional ser reconhecido e apreciado em qualquer
lugar.